Eu tento, não importa o que eu queira, o que faça, eu sinto canseira, mas o sono foi passear por uma estrada oposta a minha. Uma febre de 35 graus na madrugada, eu caminhando por uma estrada com fantasmas me rodeando, acorrentados em meus pés e pulsos, me levando, me arrastando para uma escuridão da qual nem quero imaginar. Piso em minha própria fé, aquela que talvez tenha perdido a muito tempo, junto com certas palavras que se foram com o vento, com alguns fantasmas dessa minha escuridão.
Eu tentei caminhar para casa, mas já não existia mais, pedaços da demolição espalhados por todo canto, mentiras e lembranças de um tempo podre espalhados pelo chão. Eu tento me consertar me livrar destas correntes, grito, mas minha voz é como uma brisa tão silenciosa, passando pelos teus cabelos tão escuros.
É tão tarde, eu tento criar uma fé, em qualquer coisa, estou perdida nestas lágrimas que lavam sem parar o meu rosto, por algo que perdi a tanto tempo, mas que vive tão quente aqui. Eu tentarei caminhar para algum lugar aconchegante, sem correntes, sem lágrimas, sem sussuros estranhos.
